Glicemia controlada é sinal de coração bem protegido

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Dezembro e janeiro são meses muito agitados! Tem criança de férias, muitas confraternizações, eventos sociais, comilança no Natal e o exagerado consumo de bebida alcoólica para comemorar a chegada do novo ano.  Apesar de todo esse cenário, é preciso ter em mente que o diabetes não tira férias e que os cuidados com a saúde devem fazer parte da sua rotina. Calma! Isso não significa que você vai deixar de curtir a festança, só tem que lembrar da importância de manter o equilíbrio, afinal o diabetes ocupa o quinto lugar entre as doenças que mais matam no Brasil.

Atualmente, cerca de 14 milhões de brasileiros convivem com a doença, que se não tratada corretamente, pode comprometer diversas funções no organismo. O endocrinologista Carlos Eduardo Barra Couri, pesquisador da USP de Ribeirão Preto, destaca que, além das doenças cardiovasculares, o diabetes pode se causar problemas, como lesões renais, oculares e neurológicas, problemas nos pés, disfunção sexual, entre outros.

– É importante destacar que as doenças cardiovasculares estão no topo das causas de morte entre portadores de diabetes em todo o mundo.  O risco de infarto em pacientes com diabetes, por exemplo, pode ser até quatro vezes maior que em pessoas sem a doença.

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Segundo o cardiologista Otávio Rizzi, professor da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp, de todas as complicações cardiovasculares, a insuficiência cardíaca possui um impacto significativo sobre os pacientes e sistemas de saúde.

– A insuficiência cardíaca acontece quando o coração não consegue bombear sangue suficiente para todas as partes do corpo, é uma das comorbidades mais comuns do diabetes tipo 2, o que pode resultar em hospitalizações mais frequentes, além de impactar diretamente na qualidade de vida desse paciente.

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Ainda de acordo com Rizzi, o diabetes gera um descontrole nos níveis de açúcar no sangue, onde, justamente com a insuficiência na produção e utilização de insulina, origina-se um estado de inflamação.

– Esse quadro facilita o surgimento de placas de gordura, aumento do colesterol ruim e outras substâncias nas paredes das artérias, limitando o fluxo sanguíneo, e consequentemente, aumentando o risco de doenças cardíacas.

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Não à toa, Couri enfatiza que a adesão precoce e contínua ao tratamento é fundamental para evitar grandes complicações do diabetes.

– É muito importante estar atento a evolução do tratamento, e ao que chamamos de inércia terapêutica, que é a demora na intensificação do tratamento com outros medicamentos, o que é essencial na prevenção de uma série de complicações associadas.

Ainda segundo o especialista, nos últimos anos é crescente entre a classe médica, a necessidade de uma nova abordagem no tratamento do diabetes, o que implica, além da prescrição do tratamento, um olhar muito mais cuidadoso para as complicações da doença.

Por isso, a necessidade do tão falado tratamento multidisciplinar, reforça a endocrinologista Denise Franco, diretora da ADJ Diabetes Brasil.

– É necessária uma abordagem multidisciplinar para as complicações associadas e também para opções de tratamento da patologia, um exemplo é o trabalho em conjunto do cardiologista e do endocrinologista na terapia. Desmistificar conceitos associados ao diabetes também é muito importante para que o paciente tenha mais qualidade de vida e vença as barreiras do diabetes.

Além disso, Denise explica que a condição para o sucesso no controle no diabetes e prevenção dos riscos cardiovasculares está no empoderamento do paciente sobre a sua doença.

– O médico deve tornar o paciente protagonista de seu próprio tratamento, incentivando-o para que o mesmo sempre reflita e tome as melhores decisões em seu cotidiano.

Crédito de foto: FreeImages