Dormir bem reduz em até 80% o risco de infarto

Foto: FreeImages

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Você dorme bem todas as noites? Um estudo apresentado na conferência anual da Sociedade Europeia de Cardiologia mostrou a relação entre dormir mal e as maiores chances de ter doenças cardiovasculares, como infarto e AVC (derrame cerebral). Além disso, o trabalho identificou que a falta de sono aumenta consideravelmente as chances de uma pessoa desenvolver doenças cardiovasculares, as principais causas de morte no mundo.

Para chegar a essas conclusões, os especialistas recrutaram em 1994, 657 homens com idade entre 25 e 64 anos, todos sem histórico familiar de infarto, AVC ou diabetes. Primeiramente, sua qualidade do sono foi avaliada de acordo com a Escala de Sono Jenkins, que identifica a frequência do sono e qualquer dificuldade de dormir ao longo da noite. Os homens então foram classificados e separados de acordo com sua qualidade de sono (entre os que tinham algum problema de sono e os que não tinham), e nos 14 anos seguintes os especialistas mediram a incidência de AVCs e ataques cardíacos entre eles.

Ao comparar os resultados, eles perceberam que os homens classificados como portadores de distúrbios do sono tinham de 2 a 2,6 vezes mais chances de terem infarto, e entre 1,5 e 4 vezes mais chances de ter um AVC, explica o pneumologista Pedro Genta, do HCor (Hospital do Coração).

– Em geral, são indicadas de 7 a 9 horas de sono por noite, mas essas quantidade são individuais. Por isso, a qualidade do sono costuma ser mensurada pelos especialistas através da sensação de bem-estar da pessoa ao acordar. Despertar sem nenhum cansaço é o grande indicador de que você dormiu o necessário.

Para chegar a esta conclusão, os pesquisadores acompanharam 14 mil candidatos ao longo de 10 anos e constataram que aqueles que dormiam bem reduziram em cerca de 80% as chances de terem infarto. Todos tinham um estilo de vida saudável, com alimentação balanceada e baixo consumo de álcool.

Prevenção das doenças cardiovasculares

De acordo com o cardiologista Abrão Cury, do HCor (Hospital do Coração), a má qualidade do sono provoca uma série de disfunções no organismo. Falta ou excesso de sono estão associados a eventos que levam a morte, como o diabetes tipo 2, hipertensão arterial, alterações respiratórias e obesidade.

Durante o sono, o ritmo cardíaco diminui e faz com que o organismo fique num estado de compensação de energia.

– O corpo de quem dorme pouco e mal não faz esta pausa e por isso fica mais propenso a problemas cardíacos. Além disso, a dificuldade em pegar no sono provoca estresse e irritabilidade, favorecendo a liberação de cortisol, o hormônio que age no controle da pressão arterial.

A privação de sono é certamente responsável pela redução da expectativa de vida. O nosso organismo produz, durante o sono, a leptina, um hormônio capaz de controlar a sensação de saciedade. Portanto, pessoas que têm dificuldades para dormir produzem menores quantidades desta substância. A consequência disso é ingestão exagerada de calorias durante o dia, pois o corpo não se sente satisfeito. Além disso, o grupo dos insones produzem uma maior quantidade de um outro hormônio, a grelina, uma substância que está relacionada a fome e a redução do gasto de energia.

Outro fator importante é a perda de gorduras.

– As pessoas que dormem de 6 a 8 horas por dia queimam mais gorduras do que aquelas que dormem pouco ou tem o sono fragmentado.