Quem prescreve o medicamento é…

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A semana passada foi atipica em nossa loja virtual!

Já no primeiro final de semana de setembro observamos que o número de pedidos tinha se elevado 5x. E o motivo de tanta venda estava estampado nas bancas e revistarias por onde passava: VICTOZA!

Não me expresarei muito sobre este medicamento ou a posição da revista, visto que abaixo segue publicações de 2 orgãos públicos, Sociedade Brasileira de Diabetes e Agencia Nacional de Vigilância Sanitária, mas gostariamos de reforçar aqui em nosso site a preocupação que tivemos quando a elevada venda do produto.

Buscando conter a venda indiscriminada, por ser um medicamento de venda sob prescrição não liberamos nenhum pedido que não tenha a apresentação, por e-mail ou fax, da receita médica!

A febre atras do milagroso medicamento foi tanta que muitos clientes compraram, enviaram a receita, mas não compraram agulhas para usar com o produto! Outra informação que eles não tinha era como usar, muitas vezes fomos questionados de como tomar o remédio (que é aplicado no subcutâneo) ou se a aplicação de veria ser no local onde gostaria de perder mais peso (lembrando muito a mesoterapia que foi febre a alguns anos).

E o fator que mais me preocupa são os portadores de diabetes tipo 2, que já fazem uso do produto, terem o seu tratamento interrompido.

Segue os dois comunicados já mecionados:
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SBD e posicionamento sobre liraglutide e revista VEJA

A revista VEJA publicou uma reportagem, sendo inclusive matéria de capa, sobre uma medicação: a liraglutide (nome comercial: Victoza). Nesta reportagem relatam: “PARECE MILAGRE! Um novo remédio faz emagrecer entre 7 a 12 quilos em apenas cinco meses.”

O liraglutide, é um fármaco sintético, e tem como ação primária aumentar as ações de hormônios intestinais como o GLP-1, que apresentam várias ações benéficas no organismo, principalmente no controle do metabolismo da glicemia agindo na biomodulação do glucagon e da insulina no pâncreas de pacientes diabéticos.

Esses dados foram comprovados em diversos estudos clínicos, o que permite colocá-lo como mais uma interessante arma no controle da glicemia nos portadores dessa doença. Portanto, até o momento, essa é a única indicação disponibilizada pelas diversas agencias reguladoras em todo mundo: o tratamento da hiperglicemia em portadores de diabetes tipo 2.

Além destes efeitos, estudos têm sinalizado para que esses fármacos também apresentem ações sacietógena central, redução na velocidade do esvaziamento gástrico e motilidade intestinal, levando, com isso, a perda de peso inicial nos diabéticos estudados.

Droga similar já existe a cerca de cinco anos, chamada Exenatide (nome comercial: Byetta). A liraglutida apresenta algumas diferenças para o exenatide, entre elas a vantagem de aplicação única diária, e uma perda de peso maior. Esta perda de peso é inferior ao que foi mostrado na reportagem.

O fator mais importante é que esta medicação foi lançada para tratamento de Diabetes tipo 2, associada à mudança de estilo de vida, e não para tratamento de obesidade. Quanto ao uso desse medicamento em obesos não diabéticos, os estudos são ainda escassos, se restringem a poucos pacientes, além de serem de curta duração. Estudos mais abrangentes encontram-se em curso, o que permitirá no futuro às agencias reguladoras e mesmo às Sociedade Médicas a possibilidade de avaliar de forma prudente e madura sobre a eventual indicação para o tratamento da obesidade.

O próprio laboratório responsável pela liraglutide no Brasil está enviando nota para as entidades e aos médicos deixando claro este posicionamento.

Este padrão de matéria cria vários problemas, como:

Estimula uma fantasia na cabeça do paciente que existe uma medicação milagrosa que faz emagrecer rápido, inclusive desestimulando adequados hábitos alimentares e de exercício físico.
O paciente procura o médico apenas para querer a prescrição, não valorizando inclusive doenças concomitantes associadas ao excesso de peso
A lei da oferta e procura lança o preço para valores exorbitantes. Em Belo Horizonte está em R$ 394.00 reais e o estoque esgotado, com previsões de reposição somente para daqui a uma semana.
Existem estudos para o uso da medicação em obesos, ou pelo menos IMC = 27, mas ainda estão em andamento. Precisaremos no mínimo mais um ano para tomar conhecimento dos resultados, inclusive se haverão efeitos colaterais importantes.
Estamos vendo uma repetição do que foi feito no passado com outras drogas que ofereceram uma mágica, obtiveram uma imensa venda no início e com o tempo foram retiradas do mercado, ou praticamente não são mais prescritas.
Portanto, a Liraglutida não está indicada no momento para uso em obesos não diabéticos.
A Sociedade Brasileira de Diabetes condena propagandas como esta, com um alto grau de sensacionalismo, aproveitando populações portadoras de problemas de saúde que podem levar a baixa estima, e por serem ávidos de soluções, se transformam num público fácil de serem persuadidos.

Matérias como esta prestam um desserviço aos pacientes, e dificultam o trabalho de quem realmente deseja, baseado em ciência, prestar reais benefícios a quem necessita.

Saulo Cavalcanti

Presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes
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COMUNICADO ANVISA SOBRE LIRAGLUTIDA

Anvisa adverte que medicamento para diabetes não tem indicação para tratar obesidade – Assessoria de Comunicação CRF-SP

A Anvisa publicou 5 de setembro em seu portal nota de alerta sobre o uso indiscriminado de novo medicamento para o tratamento de diabetes tipo 2, o Victoza®, que, de acordo com reportagens veiculadas esta semana na imprensa, vem sendo utilizado com o intuito de emagrecer.

Segundo a nota de alerta, o Victoza® é um produto biológico, ou seja, uma molécula de alta complexidade, de uso injetável, contendo a substância liraglutida, aprovado pela Anvisa para comercialização no Brasil em março de 2010. Para o registro do produto foram apresentados estudos clínicos que comprovaram eficácia e segurança do produto para uso específico como tratamento de diabetes tipo 2.

Portanto, a indicação de uso do medicamento aprovada pela Anvisa é como “adjuvante da dieta e atividade física para atingir o controle glicêmico em pacientes adultos com diabetes mellitus tipo 2, para administração uma vez ao dia como monoterapia ou como tratamento combinado com um ou mais antidiabéticos orais (metformina, sulfonilureias ou uma tiazollidinediona), quando o tratamento anterior não proporciona um controle glicêmico adequado”.

Nos estudos clínicos do registro e nos relatórios de segurança periódicos apresentados à Anvisa foram relatados eventos adversos associados ao Victoza®, sendo os mais frequentes: hipoglicemia, dores de cabeça, náusea e diarreia. Além destes eventos destacam-se outros riscos, tais como pancreatite, desidratação e alteração da função renal e da tireoide.

A Anvisa ressalta que a única indicação aprovada atualmente para o medicamento é como agente antidiabético. Não há, até o momento, solicitação por parte da empresa detentora do registro de extensão da indicação do produto para qualquer outra finalidade. Não foram apresentados à Anvisa estudos que comprovem qualquer grau de eficácia ou segurança do uso do produto Victoza para redução de peso e tratamento da obesidade.

A Anvisa não reconhece a indicação do Victoza para qualquer utilização terapêutica diferente da aprovada e afirma que o uso do produto para qualquer outra finalidade que não seja como anti-diabético caracteriza elevado risco sanitário para a saúde da população.
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A busca pela qualidade de vida requer esforço e dedicação e não um medicamento milagroso, vamos buscar ter saúde sem grandes milagres e sim com alimentação saúdavel e atividade física! E, principlamente, evitando a automedicação.

Ficou alguma dúvida? Escreva para mim clicando aqui!

Att.
Caroline Montingelli Coelho
Farmacêutica – CRF-SP: 50.089