Hipertensão: tudo o que você precisa saber sobre sua pressão arterial

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No final de agosto, a Sociedade Europeia de Cardiologia (SEC) publicou suas diretrizes sobre diagnóstico e manejo da hipertensão arterial. E, diferentemente da Sociedade Americana, a SEC manteve a taxa de 14 por 9 como o limite para o considerado normal.

Desde o final de 2017, instituições americanas divulgaram a nova definição para pressão arterial alta, considerando qualquer valor acima de 13 por 8 como diagnóstico de hipertensão arterial. O mundo se colocou em alerta, pois diante de tal definição metade da população passa a ser considerada hipertensa.

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Segundo a cardiologista clínica Fátima Dumas Cintra, do Hospital Moriah, “a importância de pensarmos em uma taxa menor é instituir um tratamento mais precoce, bem como, ter mais campanhas de prevenção e atenção, evitando as complicações da doença, que têm um custo alto para a saúde”.

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A pressão arterial alta é um dos mais importantes fatores de risco para doenças cardiovasculares e renais. A pressão arterial é constituída de dois números que correspondem a: o primeiro, chamado pressão arterial sistólica mede a pressão da artéria no momento em que o sangue é bombeado do coração para os órgãos; o segundo número, denominado pressão arterial diastólica, mede a pressão dessa artéria quando o coração está relaxado, após o bombeamento.

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A maior parte da população brasileira desconhece seus níveis de pressão e é muito importante fazer essa checagem sistematicamente, após os 35 anos. Embora a hipertensão costume ser mais prevalente no avançar da idade, acometendo 69% dos idosos brasileiros, é a educação dos jovens que fará a diferença no desenvolvimento da doença.

Tanto fatores ambientais, como a influência genética, devem ser levados em consideração como causadores da pressão alta e, ainda, para quem já tem a doença, sedentarismo, obesidade, estresse psicossocial e até frio intenso podem participar do desencadeamento de doenças cardiovasculares, como infarto agudo do miocárdio. Mais da metade dos infartos no mundo estão relacionados à hipertensão.

É possível que o paciente apresente pressão alta relacionada a doenças prévias, como hipertireoidismo, doença renal aguda ou apneia obstrutiva do sono – que estudos mostram, no Brasil, ser a causa mais prevalente. Ainda assim, é uma doença de causa multifatorial e envolve muitos aspectos sociais e culturais.

O diagnóstico da doença se faz durante o acompanhamento clínico, mas são necessárias várias tomadas de medida da pressão para estabelecer o diagnóstico correto. Uma única medida alterada, em uma situação específica, não é suficiente para o estabelecimento do diagnóstico de hipertensão arterial, uma vez que pode ser normalizada logo após.

Ainda que existam detratores da nova taxa, mais baixa, para determinar a hipertensão, Fátima  alerta que a principal estratégia para o manejo da doença é a prevenção e não o tratamento farmacológico.

As dicas a seguir também servem para quem já convive com a pressão alta, para evitar as complicações.

1. Perder peso – IMC (índice de massa corpórea) dentro do normal garante saúde do coração sob todos os aspectos. Cada quilo que se perde, pode garantir um pontinho a menos na medida da pressão.
2. Dieta DASH (Dietary Approach for Stop Hypertension) – essa dieta, por si, já é responsável pela diminuição da pressão em até 11 mmHG (milimetros de mercúrio). A base dessa dieta são as frutas e verduras e pouca carne vermelha. Guarda semelhanças com as dietas mediterrâneas.
3. Cortar o sal – só essa ação já baixa a pressão em 5 mm – as pessoas pensam que basta não levar o saleiro para a mesa, ou até cozinhar sem o sal, mas, consumir comida industrializada já garante alta taxa de sódio no corpo. Macarrões instantâneos, molhos prontos, molhos de tomate, conservas em lata, refrigerante… praticamente tudo que é pronto nos supermercados têm muito sódio.
4. Atividade física aeróbica diariamente (pode ser correr, andar, dançar, jogar futebol, tênis, enfim), somada à atividade muscular para garantir a saúde das articulações.
5. Diminuir o consumo de álcool – o consumo preconizado pelas associações de hipertensão é de um drinque por dia para mulheres e dois drinques por dia para os homens – injusto ou não, consta que a metabolização do álcool nas mulheres é menos eficiente, não permitindo que o álcool seja totalmente eliminado.

A pressão alta é uma doença que preocupa o mundo todo, pois ela aumenta o risco de mortalidade cardiovascular e também de comorbidades. As complicações mais comuns – e de tratamento caro e difícil – são o acidente vascular cerebral (AVC ou derrame), o infarto, a insuficiência cardíaca e a morte súbita.

Conhecer sua pressão e adotar hábitos saudáveis é fundamental. Não deixe de medi-la sempre que possível e converse com seu médico sobre o assunto.