Açúcar não é o único vilão do diabetes e do coração

Reprodução / Flickr

Após o diagnóstico do diabetes tipo 2, muitos pacientes ficam na dúvida sobre o que comer e restringem exclusivamente o açúcar, ingrediente preocupante para essa condição, mas que não é o único vilão à mesa. Assim como é recomendável reduzir a quantidade de carboidratos do cardápio, é necessário incorporar novos hábitos alimentares, tomando cuidado com outros compostos presentes na comida.

O açúcar é o que mais afeta a glicemia, pois quase 100% é convertido em glicose, num período que pode variar de 15 minutos a 2 horas após o consumo, esclarece a endocrinologista Dhiãnah Santini de Oliveira.

– Como no diabetes tipo 2, o organismo não consegue usar adequadamente a insulina que produz ou não possui quantidade suficiente do hormônio para controlar as taxas de glicemia, fica mais fácil entender porque o carboidrato deve ser limitado.

Conheça nossa loja virtual! Entregamos em todo Brasil

Existem os carboidratos simples, os quais são rapidamente absorvidos pelo organismo e contraindicados para pacientes diabéticos. Há ainda os complexos (cereais e derivados, farinhas integrais, tubérculos, além das leguminosas, como feijões, ervilha, lentilha e soja) que são os mais indicados para os pacientes com diabetes por terem uma absorção mais lenta.

Além do açúcar, as gorduras também devem ser controladas no cardápio, principalmente as saturadas (carnes vermelhas e laticínios, por exemplo) e as gorduras trans (como margarina, biscoitos recheados, sorvete e salgadinhos industrializados). Segundo a médica, “as gorduras, além de atrasar o tempo de digestão, dificultando o trabalho da insulina, o que também leva a um aumento da glicose no sangue horas após as refeições, estão relacionadas com o acúmulo de gordura abdominal, com o aumento do colesterol e com o excesso de peso”.

Conheça nossas receitas sem adição de açúcar

Conclui-se, portanto, que o paciente deve ter cuidado na hora de se alimentar por uma série de motivos. Um dos órgãos mais prejudicados pela doença é o coração: o risco de infarto ou AVC (Acidente Vascular Cerebral) para quem tem diabetes tipo 2 é de 2 a 4 vezes maior do que uma pessoa sem a condição, fazendo assim com que a doença cardiovascular seja a principal causa de morte no paciente com diabetes, matando mais que o vírus HIV, a tuberculose e o câncer de mama juntos.

Como a gordura leva ao aumento do colesterol ruim (LDL), o coração fica ainda mais suscetível. Isso ocorre, de acordo com a endocrinologista, porque as chances de formação de ateromas (acúmulo de gordura nas paredes dos vasos sanguíneos) aumentam, agravando a saúde vascular, já comprometida devido ao quadro de inflamação crônica causado pelo diabetes¹.

Mas o que fazer em relação às proteínas? Elas também devem ser consumidas com moderação, já que cerca de 30% a 60% se transformam em glicose no organismo. Presente nas carnes, ovos, leite e seus derivados, além de algumas leguminosas, as recomendadas são as carnes de origem animal consideradas magras, ou seja, que possuem quantidade reduzida de gordura.

– Substituir os derivados do leite por versões mais light, além de trocar a carne vermelha pela branca, como frango ou peixes, são medidas bem-vindas.

Porém, o paciente deve conversar com seu médico que o acompanha e também com um nutricionista para elaborar e validar um cardápio individualizado.

Como o carboidrato está presente em grande parte dos alimentos que consumimos, como as frutas e vegetais, as farinhas, as massas e os pães, é provável que o paciente com diabetes seja orientado por um profissional de saúde a adotar a dieta de contagem de carboidratos, estratégia nutricional que traz maior flexibilidade na alimentação.

– Para saber quantas calorias pode consumir diariamente, incluindo a quantidade exata de carboidratos, é necessário o acompanhamento nutricional, já que se trata de um método bem individualizado, que depende também do estilo de vida de cada pessoa.

Por fim, quem tem diabetes ainda deve incluir mais fibras na dieta. Presentes nos vegetais e principalmente nas cascas desses alimentos, elas atuam no metabolismo dos carboidratos, pois formam um gel no intestino que torna mais lento o processo pelo qual a glicose entra na corrente sanguínea. As fibras também atuam como vassouras que carregam os resíduos alimentares e a gordura excedente na alimentação pelo intestino, baixando o nível de colesterol absorvido.