55% das pessoas com obesidade recebem o diagnóstico oficial de doença crônica

Crédito da foto: UConn Rudd Center for Food Policy & Obesity

Crédito da foto: UConn Rudd Center for Food Policy & Obesity

Percepções e atitudes divergentes a respeito da obesidade podem comprometer os resultados do tratamento, de acordo com os resultados do estudo de Conscientização, Cuidados e Tratamento no Manejo da Obesidade (sigla ACTION, em inglês). Os resultados foram apresentados na Obesity Week 2016, congresso anual realizado pela Sociedade Americana de Cirurgia Metabólica (American Society for Metabolic and Bariatric Surgery) em parceria com a Sociedade de Obesidade (The Obesity Society), e chamam a atenção para o fato de que a obesidade ainda não é encarada como uma questão de saúde.

ACTION é o primeiro estudo americano a investigar as barreiras que impedem diagnóstico e controle eficazes da obesidade a partir da perspectiva de pessoas com obesidade, profissionais de saúde e empregadores nos EUA. O estudo foi projetado para gerar insights que melhorem os cuidados com a doença, a educação e o apoio para as pessoas com excesso de peso e obesidade – que, no Brasil, representam atualmente 56,9% da população adulta.

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Um dos achados do estudo que reflete a falta de entendimento a respeito do excesso de peso é o fato de que, apesar de a maioria (65%) das pessoas com obesidade considerarem a condição uma doença, 82% enxerga a perda de peso sendo “exclusivamente” sua responsabilidade. O estudo também descobriu que, apesar de várias tentativas “sérias” de perda de peso, apenas 23% das pessoas com obesidade relataram uma perda de peso de 10% nos últimos três anos, e 44% mantiveram a perda de peso por mais de um ano.

Outra barreira significativa aos cuidados com a obesidade revelada pelo estudo foi um diálogo médico-paciente inconsistente sobre o controle de peso. Embora 72% dos profissionais de saúde entendam que têm “a responsabilidade de contribuir ativamente” com os esforços para perda de peso dos pacientes, apenas 55% das pessoas com obesidade relataram ter recebido um diagnóstico oficial de obesidade de seu médico. Além disso, apenas 16% das pessoas com obesidade relataram ter uma consulta de acompanhamento com seu médico após conversas iniciais sobre o gerenciamento da obesidade, e enquanto os médicos disseram que estavam “confortáveis” com conversas de gerenciamento de obesidade, seus esforços foram muitas vezes despriorizados devido ao tempo limitado da consulta.

De acordo com Rocio Riatto Della Coletta, gerente médica de obesidade da Novo Nordisk, os achados do estudo ACTION reforçam a importância de tratar a obesidade como doença e não como escolha individual.

– Os resultados mostram que a pessoa com obesidade enfrenta tantas barreiras que acaba acreditando que a perda de peso depende, exclusivamente, de mudança de hábitos.

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Para ela, uma ampla conscientização sobre o assunto é o primeiro passo para essa mudança de paradigma.

– A ciência já mostrou que o controle da obesidade é complexo e envolve uma abordagem abrangente de cuidados multidisciplinares. É preciso deixar isso claro não só para quem tem obesidade, mas para a população em geral. A obesidade só será adequadamente diagnosticada e tratada quando as pessoas passarem a enxergá-la como uma doença crônica.